sábado, 4 de dezembro de 2010

Viagem de Trem com Beto



sexta-feira, 3 de dezembro de 2010


PALMA VISTA DA JANELA DO TREM DA MEMÓRIA.

O trem saiu de Cisneiros ainda há pouco.
Da chaminé da Maria Fumaça sai o aviso: ela está chegando.
Vamos juntos fazer uma pequena viagem no tempo.
Guarda-pó, malas e matulas, tudo em ordem.
Vamaos embarcar numa viagem de saudade
e de lembranças.
Vamos percorrer o trecho onde havia a linha do trem
na nossa Palma e ver como está a nossa cidade hoje.
Estamos chegando na estação. Olhem um pouco pra esquerda.
O velho prédio das oficinas ainda está de pé.
(ou quase)
Um olhar para a direita e vislumbramos o morro
da igreja.
Olha!!! Lá está Palma!!!
O que é isso à nossa esquerda?
Tudo isso virou moradia.
Bandeiras desfraldadas anunciam a chegada à estação.
Cadê os trilhos?
Pra que?
O trem da saudade percorre qualquer caminho
onde haja lembranças.
O trem se aproxima da estação.
E as bandeiras nos brindam com suas cores.
Quase lá!
O coração bate descompassado.
A saudade aperta!!!!
Chegamos na estação de Palma.
Palmeiras???
Será pra nos lembrar que aqui é Palma?
Não é necessário nada externo pra que eu reviva
grandes momentos.
Lá na frente está a casa onde morava o agente da Leopoldina.
Ah! A pracinha!!!
Cadê os bancos e os casais de namorados??
O escritório da Quarta Residência. Nome pomposo!!

Dona Julieta não está aqui, nem seus deliciosos biscoitos de polvilho.
Já está na hora de partir.
Você está escutando o sino?

Café com pão
manteiga, não.
café com pão,
manteiga é bom.
Começa o ritmo da Maria Fumaça.
Vamoos começar a deixar a estação.
A plataforma, vazia.
Palma não vai ficar pra trás.
Vamos, maquinista.
Lenha na caldeira!!!
A estação vai se distanciando.
Café com pão,
manteiga, não...
Café com pão
manteiga, não...
Dê mais uma olhadinha pra trás.
Agora, vamos em frente.

À nossa direita, a Rua Francisco Otoni de Paula.
Logo aqui, à direita, a máquina de arroz do Seu Antonio Dingo.
Aqui, onde a linha cruzava com a estrada Palma-Laranjal,
hoje é a esquina da Rua Dr. Ormando Borges de Aguiar com
a Rua Flodimira Titoneli.
E vamos lá!
Onde era trilho, agora é trilha.
Acabou de passar um boi por aqui.
Ainda bem que lembranças não atropelam animais.
Qua saudade!
Que tristeza ver o que está contecendo com a nossa estrada,
antes tão movimentada, com o expresso, o noturno
e os trabalhadores da Estrada (era assim que nos referíamos a eles)
Nosso trem avança.

E nossas lembranças nos acordam pra esse novo tempo.
Fogo, maquinista!!
Olha alí a Rua Heitor Barbosa.
E lá no fundo, a Rua Firmo de Araújo, a antiga Rua do Matadouro.
E vamos tocando em frente.
O mato cresce.
Assim como a nossa saudade
de tempos tão bonitos!
Dessa curva dá pra ver bem a Igreja de São Francisco.

Mais um boi!!
E um lagarto!!!
Ainda bem que a gente ouve o canto dos pássaros.
E quantos pássaros!!!!
Alí é o Calçadão, a antiga Rua do Cinema.
Agora dá pra ver a Rua do Dó.

Olhando um pouquinho pra trás, dá pra enxergar a Prefeitura
e o Fórum, lá no cantinho, à direita.

Olha a ladeira alí, gente.
Uai, cadê o Clube Santa Cecília?
Acabou.

Olha alí, a Rua Tiradentes, a Rua do Sapo (Rua Adriano Raymundo)
e o alto do Morro da Nicota (Rua Dr. Costa Reis)
Meus olhos captam a Igreja em zoom.
Você se lembra da Cruzada, das Filhas de Maria, dos Congregados Marianos,
da Irmandade de Nossa Senhora Aparecida,
das festas de Maio???
E da Folia de Reis descendo do Mato Dentro?

Agora o nosso trem passa perto da esquina da Rua João Pinheiro
com a Rua Dr. Costa Reis.
Ali, no alto, a Capela de Santo Antonio e o Hotel Campos,
onde antes funcionava o Ginásio Nossa Senhora Aparecida.


Mais uma vista da Costa Reis e do Morro da Nicota,
que vão ficando pra trás.

Dê a ultima olhada dessa viagem,na Rua Tiradentes.
Veja, ainda existe um casarão antigo por lá!
Meu Deus, até quando???
Que seja restaurado e dure por muitos e muitos anos.
Lá em cima é o Parque das Palmeiras.
Era por alí que existia um reservatório de água , que abastecia toda
a cidade.
Nossa viagem está quase chegando ao fim.
Aqui, à nossa esquerda, uma pequena gruta.
Olhe alí .
É a Rua Oscar Rodrigues de Paula.
Era logo alí, à direita, que ficava o pocinho do Américo Pinto, onde a molecada
se banhava nos dias de calor.
É a última curva. Agora deixamos a cidade.
A partir daqui, sua lembrança é que vai levá-lo a outras viagens.
Vá com Deus.
E não se esqueça da nossa Palma.
Espero que não tenha ficado triste com o que viu.
Mas , eu acho que deu pra matar a saudade.
BOA VIAGEM.
LENHA NA CALDEIRA, MAQUINISTA!!!!!!
café com pão,
manteiga, não,
café com pão...




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